Quando deixou a corretagem de imóveis e seguros, em 2016, para ganhar mais dinheiro com aplicativo de transporte, o currais-novense Laércio Pacheco, hoje com 53 anos, não só dobrou seus ganhos mensais na época como engrossou uma estatística do novo mercado de trabalho em recessão.
No Rio Grande do Norte, a exemplo de Laércio, 65 mil pessoas se enquadraram na mesma atividade dele em 2018, maior número absoluto da série histórica iniciada em 2012, segundo os últimos números da “contínua: Características Adicionais do Mercado de Trabalho”.
Em 2017, eram 52 mil pessoas trabalhando “em veículo automotor”, o que representava 5,3% das pessoas ocupadas, excluindo-se empregados no setor público e trabalhadores domésticos no trabalho principal.
Só em Natal, 20 mil pessoas tinham o veículo automotor como local de trabalho em 2018, o que representava 7,4% das pessoas ocupadas na capital. O número representa um aumento de 7 mil pessoas em relação a 2017, quando 13 mil pessoas ou 4,9% estavam na atividade, excluindo-se empregados no setor público e trabalhadores domésticos no trabalho principal.
Esses dados colocam Natal e Rio Grande do Norte como o segundo maior percentual de pessoas nessa situação entre as capitais e os estados Brasil afora.
Entre as capitais, só Manaus possui um número proporcional maior, 8,7%. Na comparação entre as unidades da federação, apenas Amapá, com 6,9%, supera o Rio Grande do Norte (6,5%).
Flávio Queiroz, analista do IBGE no Rio Grande do Norte, associa a alta migração de profissionais para aplicativos de transporte de pessoas ou alimentos à alta taxa de desocupação que, em 2017, já era de 16% no estado.
“No ano passado, essa taxa já estava acima da média nacional, o que explica a forte migração de pessoas para atividades como o transporte de pessoa e alimentos”, acrescenta.
Além da migração dos desocupados para esse tipo de atividade, os subutilizados são aqueles que trabalhavam menos horas do que têm capacidade.
“Essa subutilização da força de trabalho era de 29% em 2012, quando teve início a série histórica da pesquisa; já em 2017 era de 36% no estado e em Natal estava acima de 16%”, aponta o analista do IBGE.
Ainda segundo ele, a explicação para esse fenômeno é simples: ao serem demitidas ou deixarem seus antigos trabalhos, para não ficar paradas, as pessoas começaram a procurar os aplicativos para manter alguma renda.
“Grande parte daquelas que trabalham por conta, a pesquisa mostra, 85% não tem CNPJ ou qualquer vínculo formal”, diz Flávio.
Mesmo assim, salienta, a renda média dessas pessoas não subiu nessas atividades informais não subiu, situando-se ao redor dos R$ 1.350,00.